segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

O desenvolvimento da atitude científica nos alunos



BODENAVE, Juan Díaz; PEREIRA, Adair Martins. Estratégias de Ensino Aprendizagem. 28 ed. RJ: Vozes, 2007. p 221-232.

Falar sobre atitude científica não é o mesmo que falar de conhecimento sobre o método científico. Apesar de ambos estarem interligados, são distintos. A atitude científica depende das experiências vividas pelos estudantes, ou seja, o meio influenciará no modo de ser do indivíduo. Já o conhecimento do método científico pode ser adquirido por simples leitura, pois há livros específicos para alunos aprenderem como se faz um projeto, uma resenha, e assim por diante.
No entanto, a metodologia atual de ensino não fornece oportunidades adequadas para os alunos se sentirem motivados, esse tipo de metodologia tradicionalista não estimula a curiosidade nem a objetividade dos discentes que por isso acabam “trabalhando” apenas para cumprir uma exigência do professor.
Seria interessante se o docente trouxesse para a sala de aula atividades que motivassem e estimulassem o aluno a querer aprender. É importante, porém observar que para cada aluno existe um tipo de motivação, assim ao passo que alguns trabalhos, muito estruturados, são estimulantes para despertar o interesse de alguns alunos esse mesmo trabalho pode deixar outros alunos desorientados. Desta forma, a proposta ideal, seria apresentar o mesmo assunto sob vários ângulos, oferecendo aos diferentes alunos diversas maneiras de abordar, certo tema. (seminário, debate, painel, etc).
            Desenvolver a atitude científica no discente quer dizer instrumentalizar e criar uma realidade material estimulante e propícia para o aluno desenvolver um raciocínio organizado, crítico e criativo, sempre relacionando o conteúdo com a realidade vivida. Assim o aluno poderá refletir sobre a natureza dos dados de seu conteúdo compreendendo o que vem a ser senso comum e o que vem a ser fato científico. De posse dessa definição fica mais claro para o aluno a necessidade que há em desenvolver trabalhos pela investigação científica.
            No sentido de confrontar os conhecimentos dos alunos com a realidade, o professor pode se valer de atividades práticas envolvendo manuseio de materiais, pesquisa de campo e qualquer outra atividade que exija participação ativa do aluno. Essas atividades são encaradas por muitos, como uma maneira de levar o discente a aprender algo sobre o mundo real, e embora as atividades práticas pouco contribuam para a aprendizagem de processos científicos, é correto afirmar, que se os alunos agirem como cientistas descobrindo e ou redescobrindo conceitos enquanto participam dessas atividades eles vão através da curiosidade, conhecer a natureza do trabalho científico.
Com o auxílio do professor, as curiosidades dos alunos acabarão se transformando em pesquisa e consequentemente em descoberta, esse processo levará o discente à atitude científica.
1.1 Pensamento convergente e pensamento divergente
Sabemos que algumas pessoas são mais curiosas e criativas que as outras, isso porque de acordo com as mais recentes pesquisas em educação o homem pode situar-se entre dois tipos de indivíduos: os de pensamento convergente e os de pensamento divergente.
Pensamento convergente seria a falta de habilidade para perceber caminhos diferentes o que obriga o indivíduo a resolver seus problemas segundo receitas que foram dadas, ele consegue ver apenas uma maneira de resolver uma determinada situação. Ao contrário o pensamento divergente seria a capacidade de perceber lacunas de usar caminhos diferentes na solução de um problema, o indivíduo consegue ver varias soluções para um problema.
É necessário dizer também que o meio influencia decisivamente na fixação de linhas convergentes ou divergentes, pois os indivíduos (quando normal) nascem com uma bagagem divergente, por exemplo, é de natureza infantil as tentativas para pegar brinquedos, a busca constante de explicações para fenômenos. Diante disto, a família é a primeira a contribuir para o cerceamento, a quebra das linhas divergentes que começam a se fixar, curvando-as, transformando-as pouco a pouco em convergente, por exemplo, impedindo que as crianças busquem o porquê das coisas.
Na educação existem os professores convergentes, esses ditam aulas, fazem com que os alunos “aprendam” apenas uma maneira de resolver determinada questão, desta forma eles acabam tirando do aluno o direito de solucionar problemas reais, e assim dentro de quatro paredes os conhecimentos lhes são impostos. Alguns alunos sobrevivem a esse massacre intelectual, defendendo suas linhas divergentes.
O professor deveria valorizar o pensamento criador dos alunos, encorajá-los a manipulação de objetos e idéias, desenvolver o pensamento crítico, encorajar a aquisição de conhecimentos em diversos campos, isso ajudaria os seus discentes a desenvolver o pensamento divergente de cada um.
Algumas das características de um indivíduo divergente são: curiosidade, amplitude de leitura, respostas rápidas, determinação, inventividade, facilidade em dar respostas, colocação de problemas, atração por trabalhos difíceis, etc.

1.2 A Ciência moderna e a solução de problemas
A ciência moderna não é a mesma que a ciência tradicional, havendo grandes mudanças na abordagem que atualmente se vem dando a pesquisa e a solução de problemas. Para melhor falarmos sobre o assunto é necessário falar sobre Reducionismo e Mecanicismo.
O Reducionismo supõe a redução dos fenômenos às suas partes básicas (que se esperava, fossem independentes). Qualquer problema razoável era abordado mediante a sua redução a uma série de problemas de componentes mais simples. Através do reducionismo, o crescimento da ciência resultou na categorização dos fenômenos em classe cada vez menores, que crescia em profundidade e diminuía em extensão, afastando-as dos problemas reais do mundo.
No mecanicismo os fenômenos podem ser explicados em termos de relacionamento de causa e efeito mecânicos ou automáticos. A influência do meio ambiente era ignorada e favorecida as leis ou interpretações científicas delas isoladas, ou seja, desenvolvida em laboratório (ou estações de pesquisa). Esse modo de pensar fechado levou a uma visão de mundo determinista e mecanicista.
No mecanicismo não há lugar para conceitos de natureza teleológica, ou seja, dotado de finalidade, como metas, escolhas e livre arbítrio. A partir de 1950, o reducionismo e o mecanicismo passaram a ser vistos como bases inadequadas para a ciência.
O expansionismo, a teleologia e a síntese são hoje reconhecidos pela ciência como formas de pensar o mundo. A tendência atual da ciência volta-se cada vez mais para a obtenção do conhecimento de estrutura das partes a partir do todo.
O expansionismo pressupõe o ponto de vista de que os objetos e acontecimentos constituem partes de todos maiores e dá ênfase ao todo. Essas partes podem ser de qualquer natureza, conceitos, fenômenos físicos, objetos, gente, etc.
Na qualidade de sistema o expansionismo possui três propriedades abaixo relacionadas.
1- Cada parte afeta as propriedades do sistema como um todo.
2- Cada parte depende propriedades de alguma outra parte do sistema;
3- Nenhuma das partes pode ser organizada em subgrupos ou subsistemas independentes.
Um sistema é um todo que não pode ser dividido. Todo e qualquer sistema será parte de algum sistema maior e possuirá, por sua vez, partes que podem ser consideradas sistemas.
O modo de pensar, voltado para os sistemas conduz a síntese da abordagem de sistemas, que são vistos como parte de um sistema ou sistema maiores. A abordagem de sistemas implica na organização da ciência da pesquisa. Enquanto o reducionismo supõe a indiferença nas disciplinas, o expansionismo e a síntese supõe abertura e colaboração através do esforço interdisciplinar, mas apesar dessa organização disciplinar da ciência, o mundo não chega até nos de forma disciplinar. Nessa abordagem também estão presentes implicações metodológicas profundas. Os sistemas físicos estão enraizados em sistemas sociais ou deles sofrem influência. Os sistemas sociais envolvem não apenas a interação de forças físicas, mas igualmente os conflitos de vontade decorrentes da intencionalidade do comportamento dos elementos animados presentes no sistema.
Se estamos saindo da Era da Máquina e entrando na Era dos Sistemas, o tradicional método  hipotético- dedutivo empregado pela ciência, com ênfase em causa e efeito, não será dono absoluto do terreno. A abordagem teleológica ou de meios-fins também deve ser reconhecido como um método científico válido.
A orientação da pesquisa pressupõe tanto a expansão do conhecimento (como obter o que desejamos) com a resolução de problemas.
    
1.3 Atividades de ensino-aprendizagem para desenvolver a atitude científica
            Fazendo uma breve reflexão sobre cada ponto aqui apresentado, percebemos que o melhor método para ensinar a atitude e a habilidade científica são aqueles que tratam da solução de problemas de forma sistêmica. A validade do método está no fato de existir realmente algo para se resolver, ou seja, o aluno verá junto ao seu trabalho a aplicabilidade do mesmo a alguma realidade.
            O outro fator positivo é que para o aluno resolver qualquer problema ele precisará primeiramente conhecê-lo, estudá-lo, reconhecer suas causas, refletir a respeito, identificar e planejar as possíveis soluções e, estes pontos levarão o discente à pesquisa.
            Todo método de ensino aprendizagem, pode ser usado como instrumento para desenvolver atitudes científicas, desde que seja direcionado para tal. É o exemplo de uma exposição oral que se é organizada como apresentação de perguntas e desafios ao invés de apenas transmissão de informação, também servirá para desenvolver a atitude científica. E temos outros como: pesquisa bibliográfica, prática de laboratório, práticas de campo, métodos de projeto, estudo dirigido, construção de modelos e simulação e jogos didáticos que podem e devem ser dirigidos para desenvolver a atitude científica nos alunos.
            Em qualquer dessas atividades é necessário que haja programação por parte do professor, para que este saiba desenvolver essas atividades de maneira que o aluno não perca o interesse de pesquisar e aprender. Nas práticas de campo, por exemplo, é sabido que o aluno atua com o meio e interage com ele, no entanto se este aluno não souber o porquê de estar no campo, este momento para ele será apenas um passeio.
            Cabe ao professor planejar práticas de campo que despertem interesse no aluno e leve este a aprendizagem e ao interesse de aprender interagindo com o meio, neste caso é preciso que o aluno tenha por escrito, um guia que indique exatamente o que ele deve fazer e o mais importante, por que deve fazer.
            O princípio é o de levar o aluno a observar e despertar neste a curiosidade, fazendo com que formule perguntas desenvolvendo assim sua capacidade hipotética e analítica, neste momento é provável que o aluno consulte a biblioteca para satisfazer suas dúvidas. Os trabalhos planejados dessa forma podem levar o discente ao hábito de recorrer à bibliografia como fonte de informação sempre que precisar.
           

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